Para que Vivemos?
- Elaine Silva

- 8 de abr. de 2022
- 2 min de leitura
Numa noite de inverno de 2021, meu celular tocou. Era um sábado e embora fosse inverno não estava frio, estava um clima agradável.
Atendi a ligação com a alegria de quem receberia um convite para um passeio, mas o que ouvi do outro lado da linha foi uma voz muito familiar me informando sobre a morte da minha irmã.
Pertenço a um tipo tradicional de família, somos em 4 irmãos e sempre vivemos como tal, ou seja, "entre tapas e beijos". Brincadeiras a parte, nosso relacionamento de irmãos sempre foi extremamente afetuoso e aquela notícia arrancou o chão sob meus pés.
Não foi um acidente.
Não foi nada relacionado com a COVID.
Ela simplesmente fechou seus olhos para o sono eterno.
No momento, a dor foi tão grande que a sensação que tive foi de um enorme vazio, uma tristeza tão profunda que é impossível descrever.
Tudo bem pensar que a pandemia foi a culpada por não estarmos mais juntas do que gostaríamos, mas por outro lado o que mais eu havia feito para ter tido mais tempo com ela?
Aquela ligação no final de semana? Eu não fiz!
Aquela chamada de vídeo de uns 10 minutos que prometi que faria só para jogar conversa fora e dar risada? Não, eu também não estava fazendo... e por quê?
Porque eu estava ocupada demais, atarefada demais. Será?
Me dei conta de que eu estava sofrendo por viver a velha máxima: SÓ DAMOS VALOR QUANDO PERDEMOS.
Não, eu não fiquei me lamentando. Sou ciente de que não tenho controle sobre a morte, mas por outro lado, isso me fez pensar sobre qual o controle que eu estava exercendo sobre a minha vida, minhas escolhas, minha felicidade.
Percebi que estava vivendo no piloto automático, literalmente casa - trabalho (pois estou no homeoffice) e não percebi que aquela onda do distanciamento estava me lavando para longe demais das pessoas que amo e uma outra onda, desta vez mais lenta, praticamente uma marola estava me fazendo sentir que eu estava ocupada demais para tantas outras coisas que eu também amo fazer.
Estar sempre ocupado foi, por muito tempo, sinônimo de ser produtivo, bem-sucedido, etc. Mas essa ocupação me distanciou de mim e dos meus valores.
Hoje, não se fala em outra coisa e estar ocupado não é ser produtivo.
Produtividade está relacionando com equilíbrio.
Ser uma pessoa produtiva é saber viver. É agir de acordo com seus valores e princípios e por isso saber dizer NÃO para muitas coisas. É ter clareza sobre como e com quem devemos investir o nosso tempo, quem são as pessoas mais importantes na nossa vida, é saber qual é a nossa missão e pra que viver!
E pasmem, é possível ter o equilíbrio que tantas pessoas buscam. Mas são poucos os que realmente conseguem, pois estes existem, mas deixaram de viver.
E você? Sabe pra que viver?




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